Uma História do Rock

Rock’n’roll
origem e desenvolvimento

Ninguém se juntou numa cave escura e poeirenta de Memphis e planejou o rock’n’roll, nem ninguém sabia muito bem o que estava fazendo. Todos sabiam apenas que os jovens ouviam, se identificavam e compravam. Três acordes, uma batida de fundo forte e insistente, com uma melodia agradável e cantarolável, foi quanto bastou para fazer deste novo mundo musical uma revolução gigantesca que varreu, de diferentes formas e por diferentes meios, a América de então.

Se for verdade que, como muitas vezes é dito, o rock’n’roll é o resultado do cruzamento do rhythm & blues e a música country e western, também não podemos deixar de sentir a influência do gospel, swing, jazz, folk. De um modo geral poderíamos dizer que colocando tudo isso numa mesma batedeira estilística, misturando bem, conseguimos uma música de estrutura fácil, rápida e dançável. Isso é, Rock.

Conta-se que Alan Freed, um DJ de Cleveland apaixonado pelo R&B dos negros que se mudou para New York em 1954 e aí começou a organizar espetáculos, deu o mote e o nome: “Rock and Roll”. Soava bem, propagou-se e é hoje, gostemos ou não, um dos termos mais conhecidos dentro de toda a música.

Hoje não temos talvez noção das dificuldades de relacionamento e expressão na década de 50: vamos a bares e discotecas, conversamos e nos relacionamos com pessoas de todas as etnias e extratos sociais. Podemos ouvir qualquer tipo de música, usar roupas extravagantes, apresentar piercings e tatuagens e mesmo assim ser aceitos e respeitados.

O rock começa como um grito das classes oprimidas e que não se enquadravam no “Estilo Americano de Vida” e dele não querem participar.
Negros, brancos pobres e filhos de imigrantes, mulheres (e essas todas, pois a vida de artista já era errada e mal vista), os que não se enquadravam em trabalhos formais, todos passam a mostrar sua cara na cultura.

O rock é essa transgressão. Assim como a maneira de vestir, pentear, dançar, os relacionamentos afetivos e familiares, os trabalhos. Também não era uma música para se dançar apenas. Ao contrário, tratava-se de uma música para se “escutar ativamente”: bater o pé, agitar o corpo, rodopiar, estender os braços.

Surge Bill Halen, que apesar de ser um tio branco para nossos padrões, cantava e tocava rápido demais para as famílias americanas. Chuck Berry, Boo Didleey e claro, o rei Elvis Presley que dançava e cantava como um negro, evidenciando que essas divisões são meramente sofismáticas.

A partir de Elvis, a cena do rock pega literalmente fogo: pós guerra, crescimento econômico, necessidades reais de mudanças de comportamento, pois a America se abre ao mundo. E principalmente: a juventude gosta e quer comprar!

As gravadoras crescem e se multiplicam, os discos chegam à Europa e lá cresce o mesmo movimento: os ingleses, devastados emocionalmente pela guerra precisam de sua dose de rebeldia. Surgem Beatles, Stones, Eric Clapton, Cream e muitos outros que ultrapassam em muito a primeira fase inocente do rock americano. Surgem novas sub divisões: Rock progressivo Pink Floyd, Yes, Genesis, King Crimson, rock metal com Black Sabbath, Deep Purple. Nos Estados Unidos, temos os protestos, presidentes e líderes assassinados, Bob Dylan, Joan Baez, prisões.
Chegamos à década de 70, paz, amor, drogas, naturalismo, Vietnã, Janis Joplin, Jimi Hendrix, Johnny Winter, Santana e seu lado latino no rock, Led Zeppelin, Jethro Tull e todo psicodelismo.

Aí, a coisa corre pra todos os lados: a cultura pop se enraíza e se propaga em todas as direções: cinema, arte, roupas, comportamento, não há nada que saia sem algum respingo do que rolou nessa época. Afinal, o primeiro roqueiro tem a idade de minha mãe. Se você for mais jovem, da sua avó.

Aonde vai dar tudo isso, não sei. Cada dia que ligo o rádio e ouço uma nova canção, sinto certo déjà vu. Chuck Berry influenciou os Sonic Youth na medida em que estes foram influenciados pelos Velvet Underground e estes por Chuck Berry.Bem, acho que a melhor forma de terminar um texto sobre rock é citar Stones:

“I know it’s only rock’n roll but I like it.”

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