Michel Veber: a academia de um verdadeiro filósofo.

Essa é uma homenagem não só a Michel, a Renata, mas também a todos que participaram e fizeram o Instituto KAN-NON.

ACADEMIA

Cheguei bem depois de tudo ter começado, então ficam aqui os que mais conheci. Desculpem os outros e os que quiserem acrescentar ou retificar  algo, por favor, fiquem à vontade.

michel livros

Os sempre queridos irmãos José Renato e Luis Augusto (Duto) Bicalho Kehl, (Simbolismo e Profecia na Fundação de São Paulo)

Rita Moura e sua esplendida tapeçaria;

exposiçao rita

Toninho Carrasqueira e mais tarde “Seu” João Carrasqueira;

Roberto Sion e Bete;

michel sionmichel bete

Edu, Carlos, Bete, Maria do Carmo, Cintia, Anette, Rony e os bolos,

Oscar Müller, filho de Juan Alfredo César Müller, só não tinha nada de psicólogo ou astrólogo, é  químico e tomamos boas caipirinhas em Salvador.

Roberto Bicelli e poemas (e vinhos)

Dennis Giacometti com sua gentileza e que lá nunca fez propaganda de nada;

O coral com Jaime Zuckermann;

As tardes de duo renascentista com Renata;

Renata

Renata

michel paisagem

A Koiné e a caverna desvendadas com os mitos de  Platão;

“la langue hébraïque restituée” de Fabre-D´Olivet e Michelzinho;

Luiz Caldas Tibiriçá, Tupi-guarani e o Brasil e suas tribos como a Thule Hiperbólica que dá nascimento a todas outras línguas e povos;

Carlos Roberto Zibel Costa, arquiteto e a arquitetura sagrada; (O Desenho Cultural da Arquitetura Guarani)

A figura do Imperador na parede, o tatami, o relógio, todos reunidos na hora do chá para conversas por vezes insólitas do dia a dia, das notícias dos jornais, das notícias de cada um…  

“e notícias então dos amigos, e noticias então de você, sei que nada será como está, amanhã ou depois de amanhã, resistindo na boca da noite um gosto de sol…”

academia quadro

Pintura, música, cinema, poesia, teatro, René Guénon, Platão, cabala, xamanismo, mitologia, pajelança, lendas, Marilena Chauí, os vedas, os orixás, a cura do corpo e da alma e acima de tudo muito carinho, bons conselhos, trabalho, chá e massagens.

michel e mundo

Descobri um universo; Todos foram tocados.

Tenho a tatuagem de uma mandala indígena no braço e uma cosmogonia no coração e na mente.

O mundo ganhou novo sentido ou, ao menos, perdeu o antigo.

A Terra saiu do eixo.

michel mapa perto

A horta em casa, o vinho, o pão, a comida sã, treinar l´accent frances recitando “Las fabules de Jean La Fontaine” – La Grenouille qui se veut faire aussi grosse que le Bœuf

Só posso dizer que levo tudo isso com o máximo de cuidado para não perder e uma saudade louca desse tempo da academia.

Foram realmente anos dourados.

michel ouro

Michel nunca foi ou pretendeu ser um “gurú”, um “mestre”. Sempre nos deixou livres, sempre sentou ao nosso lado, assistiu as aulas e anotou em suas lousas intermináveis o que cada um falava, as contribuições de cada vivência. Tive aulas com Ricardo Rizek, conheci Olavo de Carvalho e sei bem o que é vaidade… Me sinto a vontade de falar sobre a assunto e não me sinto uma profanadora de tumbas, pois pude dizer cara a cara isso pro Ricardo:  inteligência, conhecimento e vaidade juntos não geram  sabedoria…o admiro mas que descanse em paz com Ala. Há um texto com uma homenagem realmente muito bonita sobre ele para quem quiser ler.

panambi

Grego, Hebraico, tupi-guarani, chinês, árabe, sânscrito, francês, português, alemão, inglês, espanhol, a linguagem do corpo, tudo para tentarmos entender o que na verdade está no mais simples lugar, na gota d´água, num grão de areia, numa flor, na asa de uma borboleta, a Panambi tão esperada, o Aleph, o ponto onde tudo se concentra, o coagulo ou seja, dentro de nós mesmos.

Sinto como se ainda estivesse lá, abrindo a porta da academia, com a térmica do chá nas mãos e nos chamando para próxima aula…

michel porta

Michel Francois Veber nasceu na França em 1926. Estudou na Escola de Belas Artes de Paris e veio ao Brasil na década de 50.

Como Artista plástico foi o primeiro marchand de arte moderna em São Paulo com galeria na Rua Augusta. Participou de Bienais, no teatro fez figurinos, cenários e cartazes, exposições coletivas e individuais e ainda fazendo molduras.

Volpone TBC – São Paulo – 1955  – indumentária

volpone

VOLPONE de Bean Janson
Direção: Ziembinski
TBC – SP – 1955
com Ziembinski, Walmor Chagas, Elizabeth Henreid, Waldemar Wey.
Cartaz:Michel Veber Original Gouche 52 x 70 cm

A Matrona de Éfeso – TBC – São Paulo – 1958 – Cartaz e figurinos

matrona

A MATRONA DE ÉFESO de Guilherme Figueiredo
Direção de Alberto D’Aversa
Teatro Brasileiro de Comédia – 1958 – SP
TBC (SP) com Leonardo Villar, Fernanda Montenegro, Sergio Britto, Nathalia Timberg
Cartaz: Michel Veber Original Guache 57 x 77 cm

Papillon – acervo particular Bete LopesMichel

60 BONADEI, Aldo
Rua Pompeu Loureiro
óleo s/ tela, ass. dat. 1964 inf. esq. e tit. no verso, com carimbo da Galeria Michel Veber – São Paulo no chassis
76 x 61 cm
Anúncios

36 comentários sobre “Michel Veber: a academia de um verdadeiro filósofo.

  1. emocionadíssimo, deparei-me com tua linda homenagem ao Michel Veber. Muito sensível e verdadeira.
    abração
    Bicelli

  2. Olá Norma, tudo bem/

    Adorei o seu blog. Parabéns!!!

    Achei muito bonita a homenagem que você está fazendo
    ao MIchel e a Renata, sem dúvida nenhuma eles deixaram
    uma marca indelevel em todos que passaram pela academia.

    Aprendi muito com os ensinamentos deles e ainda hoje tento colocá-los em prática.

    Sem dúvida, foi uma viagem no tempo, ver as fotos e os seus comentários.
    Acho que devo à você a oportunidade de tê-los conhecido e ter feito a minha iniciação no Tai-chi-chuan. Depois de lá não consegui mais deixar de praticar esta arte milenar. Grata!!!

    Tenho algumas coisas do Michel e Renata e logo que possível te enviarei. Ok?

    bjs

    M.Carmo

  3. Bicelli, não o conheci muito, algumas vezes estive em aulas em que você também apareceu (sempre com um vinhosinho!) mas lembrei-me do seu nome porque o Michel gostava muito de você, de seus escritos e da sua pessoa sempre poética. Que bom que você se emocionou. Ainda tenho um nó na garganta e lágrimas quando penso nesse tempo. Por isso resolvi escrever o que não consigo falar. Como poeta você sabe o que é isso… Bejos e se tiver algo a acrescentar ou alterar, mande-me.

  4. Obrigada, se der mande mesmo, vamos acrescentar muito mais, cada experiência. Tenho sempre dificuldade em falar sobre as coisas e me é mais fácil escrever. O blog tem sido uma terapia muito útil e barata!!!

  5. Olá, Norma! Tudo bem? Gostei muito de você! Procurei seu nome no Orkut, mas acho que você não está lá. É que queria ser seu amigo. Tenho interesse na obra e vida do professor Michel Veber, mas só sei dele o que li nos antigos livros do professor Olavo de Carvalho. Você linkou um texto do Edson Cruz sobre o professor Ricardo Rizek que pus na minha página. Talvez você conheça o Edson, ele também é músico e foi aluno do professor Rizek durante muitos anos. Soube do professor Rizek pelo Edson Cruz e depois acabei sabendo que o professor Rizek e o professor Olavo já foram amigos. V isso no livro “Questões de Simbolismo Astrológico”, aí perguntei ao professor Olavo e ele confirmou. Foi uma alegria encontrar seu blog! Ganhei o dia. Muito obrigado e fique com Deus.
    Denny Marquesani

  6. Olá Denny, bom receber um comentário seu. Já visitei seu site várias vezes. Adoro aquele lobo com pele de cordeiro do início! Não sei o que posso lhe dizer sobre o Michel além do que postei. Ele foi e segue como uma figura muito importante na vida de muita gente. E o texto que fiz o link do Ricardo é realmente muito bonito, uma bela homenagem. Ele foi um figura, um cara especial. Só que realmente vaidoso. Mas, vaidade de vaidade, tudo é vaidade sob o sol, já dizia por aí Eclesiastes. O que precisar é só pedir e estamos aí. Não tenho Orkut, sou mais blogueira, acho mais profundo e me identifico com esse lado literário-jornalístico dos blogs. Um abraço e até.

  7. Norma ,
    que bem nos fez , eu me deparar , meio sem querer com este blog do Michel e Renata que voce tão amorosamente desenvolveu .
    Tanto tempo depois , parece que renasci para um tempo lindo de aprendizado , descobertas, amizade , carinho e tudo mais que compartilhamos juntos.
    Salvei em arquivo , pois quero ter essa recordação “maravilhosamente informática ” , afim de lembrar, mais profundamente pelo sentimento .
    Espero reencontrá-la em breve , assim como ao Carlos e outros tantos amigos da Academia . Uma maneira , seria voces irem a um dos concertos da Orq. Jovem Tom Jobim , que este ano se iniciam no 10/4 , 21 horas , Memorial , “de gratis ” . Ou nos proximos, que a imprensa deve divulgar. Um grande beijo e obrigado , por nos trazer de volta a um tempo ( “templo” ) sagrado ,
    Beijos do Sion e Beth

  8. Que bom que vocês viram e gostaram…pra mim é importante reencontrar os que fizeram parte dessa história que segue…coloquei todas as fotos que encontrei pois lugar de foto não é na gaveta. E bons momentos são para ser lembrados. Principalmente os momentos que seguem fazendo nosso dia a dia, nossa forma de pensar, decidir, viver, amar. Espero encontrá-los em breve. Beijos.

  9. Oi Norma. Lindo blog! Deu para matar um pouco a saudade de tudo. Aquele lugar era realmente diferente de tudo que há em São Paulo. Adorei ver as fotos por que por incrível que pareça eu não tenho nenhuma da academia! Estou tentando juntar material para escrever um livro e adoraria ter umas fotos.
    Grande beijo!

  10. Oi querido Zé Renato! Você sabe o quanto foi importante a academia pra todos nós. Você e seu irmão realmente estão muito presentes nas minhas lembranças. Ainda vou sempre consultar meu dicionário de grego e tentar fazer aquele monte de correlações com as palavras…jogos mágicos. Estamos por aí, precisando é só me contatar. Meu Irmão tem escola de música no Campo Belo (Linha de Passe Atelier Musical) e também está sempre ligado nas espirais dos pensamentos lançados por Monsieur Michel. Um grande abraço. E o que precisar está a disposição!

  11. Oi, Norma

    Eu não sou muito de computador, mas estava pensando no Michel, coloquei o nome dele no Google e achei o seu blog. Fiquei muito feliz e emocionado. Foi uma surpresa muito boa. O Michel foi e é uma grande influência na minha vida e acho que na de todos nós que passamos pela academia. Foi realmente um tempo maravilhoso e levo comigo tudo que aprendi. Obrigado por ter trazido isso de volta. Um grande abraço
    Eduardo

  12. Parece uma brincadera doida que fiz o destino! Enamorado do Brazil, eu fue “nagigar” com internet e encontro a vocês. Gracias a Deus eu recognece o nome de Michel Veber (um nome facil recordar para um frances) porque um amigo (93 anhos!) que mora 12 anhos em Sao Paulo me da 2 pinturas de “SERVADEI” que representan a forest amazonica e o nome da galeria esta escrita atras! Pues do nome da galeria até a vida muito interesante de um homen, eu viago muito hoje.

    Asim, quero agradecer voces construir ese ponte entre o Brazil e a francia, entre as lembrasas de um velho homen e o presente, OBRIGADO

  13. Bacana e despretensiosa sua homenagem, em especial fotos raras que poderão chamar outras dos que estiveram, idos tempos, envolvidos com a Academia, de grata lembrança.
    Michel, leonino até na juba :), tinha forte personalidade e foi um Guenoniano irredutível, com todos os méritos desta convicção, com a qual compartilhamos. Poucos sabem que Michel era muito amigo de Fernando Guedes Galvão e família, que foi o introdutor de René Guénon no Brasil, e frequentava assiduamente a fazenda em Amparo.
    Também são poucos os que sabem que Galvão era amigo íntimo de Guénon, tendo empreendido nada menos que três voltas completas ao mundo na década de 20 e 30, tendo visitado a Índia, Mongólia e Tibet, onde recebeu iniciação.
    Foi a partir do encontro com Fernando que Michel “Guenoniou”, isto é, ingressou na Tradição pela via ortodoxa; o Tai-Chi, que aprendeu com um mestre chinês, era uma aplicação do conhecimento tradicional; Michel dominava admiravelmente o simbolismo das 108 “posições” (posturas) em que se desenvolvia os “exercícios” (na verdade, um ritual) e este, me parece, era o ponto mais alto de sua Academia.
    Michel, como Guénon, foi um divisor de águas: Tradição ortodoxa é uma coisa, o resto é o resto, beem outra coisa…para onde, aliás, foram parar os vaidosos mencionados no corpo principal deste blog.
    Assistimos a dezenas de palestras de Michel às sextas-feiras, Luiz Paulo Labriola (falecido) e eu; certa feita, olhou-me fixamente nos olhos e vaticinou: você terá escola e reunirá alunos e isto para meu grande espanto e incredulidade.
    Estava certa a predição: alguns anos depois fundei o Instituto René Guénon de Estudos Tradicionais, que toco até hoje.
    Revi Michel e Maria do Carmo, sua última esposa, em sua casa-galeria no Embu; com hidrocefalia, estava totalmente paralisado, inclusive o rosto, movimentado-se apenas seus olhos, vivos como sempre; ouvia, pensava, refletia, contemplava, tendo estabelecido uma linguagem e comunicação sutis com Maria do Carmo.
    Uma provação e tanto, que enfrentou com fidalguia que lhe era própria.

    Cordialmente,

    Luiz Pontual

  14. Oi Norma

    fiquei emocionada de ver as fotos do Michel, da Renata e esse pessoal todo.
    O Michel está no nosso coração.
    Abraço forte em você e no Carlos
    Cynthia

  15. Minha esposa trabalhou com Michel Veber na rua Agusta e ,ela quer saber mais dele.(Se está vivo ,onde encontra-lo.)Se existem trabalhos a venda.

  16. Minha esposa trabalhou na galeria do sr Michel veber na rua augusta e,ela quer mais informações a respeito dele.Existem obras dele a venda?

  17. Oi, Norma, Tenno Em Casa o Quadro PANAMBI e sempre me interessei caber mais sobre o Michel, mas o seu blog também não e muito conclusivo. aonde poderei encontrar mais informações, ou vc se importaria em me esclarecer? No Google as informações são muito conflitantes e não necessariamente se referem ao NoSSO Michel! Obrigada, arnild

  18. Olá Arnild. Como escrevo no post, tudo isso é minha vivência na academia. Frequentei por uns 5 anos, mantivemos contato por mais um tempo, a Renata faleceu e ele ficou doente. Fui visitá-lo algumas vezes mas realmente não sei muita coisa sobre ele além do que vivemos. Ele veio a minha casa muitas vezes, conhecia grande parte de minha pequena família (pai, mãe, irmão, cunhada, sobrinhos), conseguiu a parteira para minha sobrinha e como disse, nos ensinou muito. Sei de muita picuinha anterior e posterior, figuras que acreditam que conhecimento é poder ou sei lá o que passa na cabeça das pessoas. O que eu lembro dele é o que vivo: respiro, ando, toco, penso, pinto, crio sempre lembrando do que nos passou, sem vaidade. Apesar do leonino que era. O que sei dele está no post. O que lembro está em meu coração e em minha forma de ver e pensar o mundo e viver. A série Panambi era maravilhosa. Você tem um belíssimo quadro e uma grande recordação da figura que foi Michel. Um abraço!

  19. Olá. Na verdade no meu blog coloco só o que me lembro dele e o que me ensinou de legal. É difícil dizer quem realmente era alguém, aliás, é difícil dizer quem nós somos…mas escrevi também porque nunca achei nada a altura do que ele representou: um artista e livre pensador.

  20. Olá Cynthia!
    Com certeza, a academia deixou marcar e boas lembranças a todos. Vi sua dissertação sobre harmonica na Grécia para a pós na fflch. Muito legal. Meu irmão também tem uma escola de música e cada vez mais saxofonista. Eu, rock’n’roll total e discussão sobre o espaço público. Reencontrar nossa ágora perdida, nosso espaço de discussão como cidadão. Rodamos, rodamos e sempre voltamos à Grécia!
    Um grande beijo e forte abraço! Precisando de qualquer coisa, estamos aí!

  21. Olá Luiz,
    Bom que você gostou. Falo dele como uma amiga, uma aluna que aprendeu e compartiu bons momentos na academia com ele e a Renata.
    Tudo passou rápido mas deixou muita coisa em cada um. Já vi escritos seus e gosto e não sei porque temos tantos loucos nesse campo do tradicional. Ninguém sabe mais o que é realmente tradição, vivência, todos tomando coca cola e comendo hamburg, respirando fumaça ou escondidos em sítios isolados…estamos fora de eixo e por isso lembro com carinho a dedicação generosa de Michel. E eu, leio Guénon mas adoro Marx, estou apaixonada por Espinoza, detesto as religiões, toco rock, blues e me arrisco num jazz, discuto esse espaço conturbado que denominamos “publico” e busco dar e encontrar um pouco de alegria, criatividade e significação para meus dias por aqui.
    Um grande abraço, admiração e nos vemos por aí!
    Quem sabe um dia não tomamos um café? Ou uma breja !!!
    Norma Nacsa

  22. Olá Francisco,
    realmente não sei, o último lugar onde morou foi em Embu. Não sei com quem ficaram seus quadros e seu acervo de livros, etc.

  23. Norma
    Possuo um quadro do Michel da coleção paisagens.
    Gostaria de colocar a foto dele no seu blog mas não sei como faze-lo
    Adquiri-o qdo visitei o Michel no Embu. Fui junto com o Michelzinho. Ele estava sem memoria e de vez em qdo tinha umas faíscas de reconhecimento. Estava na cadeira de rodas e a Maria do Carmo cuidava dele com muito carinho.
    O Michel apagou sua assinatura neste quadro e conhecendo ele sei que ele tinha suas razões para tal. Alguem sabe disso?
    Se alguem lembra gostaria de saber.
    Ligia

  24. Olá Norma.
    E Olá Maria do Carmo, Bicelli, Sion, Beth, Joaquim, Luis Pontual e todos os que tiverem a chance de ler esta mensagem. A Norma foi a única pessoa que teve a iniciativa de postar um blog sobre o Michel e a academia e eu vou aproveitar o espaço para postar um texto que será um dia um capítulo do livro que estou escrevendo sobre aqueles tempos.

    A rua Funchal, no bairro paulistano do Itaim, mudava de nome para Pequetita em algum lugar, tornando aquele endereço mais misterioso e difícil de achar. Naqueles idos do inicio dos anos 80, o bairro era meio industrial ainda, sem nada do charme dos barzinhos, dos edifícios de escritório moderninhos ou dos apartamentos de classe média de hoje.
    Os prédios, na maioria galpões industriais e oficinas, que ocupavam aquela parte do bairro, tinham dois números em plaquinhas quase ilegíveis e nunca poderíamos dizer com certeza se aquela era a casa 28 da rua Pequetita ou a 530 da Funchal. Talvez fosse o contrário, como saber?
    A favela no final da rua, aonde hoje se encontra o templo do consumo chique da cidade, próxima do entroncamento da Marginal Pinheiros com a avenida dos Bandeirantes, completava o quadro de periferia do local, com direito a boteco sujinho na esquina, churrasquinho de gato e tudo mais.
    Depois de rodar para cima e para baixo pelas duas ruas (ou seria uma só?), cheguei a conclusão que o local só poderia ser aquele; um muro velho caiado e escorrido com um grande portão de grade de ferro trabalhado bem ao centro, tendo a direita uma enorme seringueira que lançava suas raízes por toda parte levantando e obstruindo a calçada e invadindo o asfalto.
    Por trás do muro, uma construção de alvenaria caiada, de fachada larga e simétrica com um frontão que denunciava um telhado alto de duas águas, típico de galpões industriais de antigamente, mas a porta bem no centro destoava. Era um conjunto de esquadrias de madeira com grandes vidros como a porta de uma loja.
    Havia uma campainha que me avisaram para não tocar, e ir entrando.
    Abri o portão que dava para um pequeno pátio que conduzia a porta do galpão. A direita e a esquerda do pátio, se viam dois outros portões menores, também de grade de ferro, que protegiam os visitantes dos cachorros que ficavam presos ali, e que acordaram com o rangido do portão enferrujado e começaram a latir furiosamente. Eram cinco, seis, dez, não sei dizer quantos, enormes cães fila brasileiros, que me olhavam como se eu fosse um assaltante ou a próxima refeição.
    Me apressei a cruzar o pátio, temendo que aqueles frágeis portõezinhos laterais não agüentassem a pressão dos decibéis emitidos pelas feras, e tive que empurrar com força a porta emperrada do galpão para conseguir entrar. O som de um sininho preso no batente, além do próprio ruído da porta, denunciaram minha entrada já claramente anunciada pelos cães.
    Dois degraus descendentes davam acesso a um corredor com piso de cimento queimado vermelho de cerca de três metros de largura e dez de comprimento, que tinha a direita um tapume de madeira pintado de branco com cerca da metade do pé direito alto do galpão e a esquerda uma parede de blocos de concreto alta que tinha uma porta no final à esquerda. Vários quadros pintados a óleo, que depois eu soube serem de autoria do próprio professor Michel, cobriam as paredes do corredor que tinha ao fundo uma enorme porta dupla com mais de três metros de altura coberta por seda azul marinho com bordados chineses representando pássaros grou.
    Só então reparei que no final do corredor uma pequena porta se abria no tapume à direita.
    Quando me aproximei, o professor Michel com seus fartos cabelos brancos, cara redonda e seu grande nariz francês, pôs a cara para fora da portinha e disse:
    – Alô, mon cher. Entre, entre…
    Eu já o conhecia da palestra que ele havia proferido na escola Júpiter sobre a Metafísica Oriental, mas vê-lo ali naquele ambiente foi realmente estranho.
    Ele vestia um quimono de judô surrado e encardido com faixa preta. Era baixo, forte e corpulento, com mãos de trabalhador e me convidou a entrar. Alguma coisa ali parecia fora de lugar. Um mestre de Tai Chi Chuan não devia ser um velho chinês? O que fazia aquele sujeito naquele ambiente? Uma alma chinesa no corpo de um camponês da Borgonha.
    Ele era o mestre de Tai Chi Chuan e dono da Academia Kanon, assim chamada em homenagem a deusa da misericórdia e da compaixão do panteão Budista japonês. Na China ela é conhecida como Guan Yin e é representada como uma jovem mulher com um traje que esvoaça ao vento, às vezes pisando sobre uma flor de Lótus.
    A portinha do tapume dava para um salão espaçoso e mais ou menos quadrado com o chão coberto por um tatame de mais de cem metros quadrados de lona bege encardida. A parede oposta à porta, era de blocos de concreto aparentes e sem pintura que pareciam ser do muro do prédio vizinho. As colunas quadradas e as vigas de concreto que sustentavam o telhado, ficavam afastadas meio metro desta parede.
    Pendurado na viga de concreto bem no alto havia um grande relógio de parede e logo abaixo um quadro envidraçado com moldura de madeira escura, retangular largo e baixo, com uma grande inscrição em ideogramas chineses, que mais tarde soube se tratar do nome da academia; “Guan Yin Tao Shen” ou, numa tradução livre, Academia Kanon.
    Logo abaixo deste quadro, pendurado na mesma viga, havia um outro muito maior que chegava até o chão coberto de nomes japoneses, mas escritos em letras latinas mesmo, que pude identificar como sendo os nomes dos principais golpes de Judô, Kouchigari, Ouchigari, Deachibarai etc.
    Luminárias industriais de chapa esmaltada verde com refletores brancos pendiam das tesouras de madeira do telhado bem alto de cimento amianto.
    A parede a direita tinha duas janelas de correr de esquadria de metal e vidro martelado separadas de uma terceira janela semelhante por uma parede de cerca de uns dois metros, na qual se encontrava pendurada uma grande gravura representando um aristocrata chinês em suas melhores vestes.
    A parede a esquerda era também um tapume de madeira branco que não chegava até a tesoura do telhado permitindo ver que o galpão continuava para os fundos. Logo ao lado da porta de entrada a direita, havia um espelho retangular e no alto uma pequena prateleira de madeira com uma imagem de Kanon. Mais ao fundo encostada neste tapume havia uma estante baixa de madeira com um incensório, um sinete Budista e outros objetos. A direita da porta sobre uma mesinha baixa de madeira escura, se viam alguns copos de vidro de geléia ou de requeijão e uma garrafa térmica com o chá que era servido para os alunos no intervalo dos treinos.
    O tapume que dividia o tatame do corredor era acolchoado e coberto com tecido deste lado, e bem no canto da sala, encostados na parede, havia vários bastões de madeira roliços de mais ou menos um metro e meio a dois metros de comprimento e uns três ou quatro centímetros de diâmetro.
    O ambiente era um pouco escuro e tinha uma pátina de poeira que fazia tudo ali parecer antigo.
    Quando entrei, vi o Amâncio, o astrofísico que dava aulas de astronomia na Escola Júpiter, realizando estranhos movimentos com um destes bastões de madeira ao lado da mulher do Michel, Ismenia e de mais dois outros alunos da academia.
    Michel me disse com seu leve sotaque francês, que eu deveria comprar um quimono se quisesse treinar e combinou os dias e horários em que eu deveria vir. Tudo me parecia estranho e ao mesmo tempo fascinante e exótico.
    Aquele senhor francês, iria me ajudar a mudar minha forma de ver o mundo, a vida e a morte. Nunca mais fui o mesmo e quando lembro daquele lugar maravilhoso, ainda hoje me bate uma nostalgia de um tempo de descoberta e mistério, quando a cada dia uma nova realidade se descortinava e fazíamos descobertas assombrosas sobre nosso passado, as tradições espirituais do oriente e do ocidente e nossa ligação com esta “Áurea Catena”, que liga todos aqueles que se dispõe a seguir o caminho de seus ancestrais.
    Não posso mais passar pela rua Funchal sem sentir um misto de saudade, tristeza e gratidão. Nada do que vivi ou conheci naqueles tempos, existe mais. O velho galpão da Academia Kanon, demolido, deu lugar a prédios modernos aonde as pessoas se ocupam com tudo menos com aquilo que nos ocupava naqueles tempos. Panta rei, ou tudo flui, como dizia o pré-socrático Heráclito.

  25. Caro Renato ,

    Poucos e pequenos esclarecimentos sobre seu excelente relato. Na verdade, a Funchal e a Pequetita são duas ruas paralelas. A primeira era a frente da Academia e a outra, os fundos, pois o galpão ocupava terreno com 15 de frente (ou dez, no mínimo ) por cem de fundos. Havia uma edicula nos fundos onde morou o filho mais novo de Michel, com esposa e filho pequetito , que foram morar na França . Nao por escolha, mas por limitações financeiras, o lugar era de fato muito mal cuidado, sujo, sujíssimo. A tal “película de pó”, mencionada como poética pátina, era sujeira generalizada mesmo. Os copos eram embaçados 🙂 … O esgoto entupiu mais de uma vez e colocar o quimano no vestiário era uma experiência chocante algumas vezes. Presenciei revoadas de baratas no tatami. Nao faço este breve relato para diminuir minha postagem anterior fala por si, apenas retrato uma situação de fato, conhecida por muitos. Michel comeu o pão que o diabo amassou, em nome da sagrada Tradição .

    Luiz Pontual

    Enviado via iPad

  26. Olá Luiz

    Lembro bem das baratas voadoras! E o problema do esgoto também. Um dia vimos um enorme rato passar garbosamente por cima de uma das tesouras do telhado durante um treino. Sem dúvida Michel passou um período difícil mesmo. Lembro da épica briga dele com a Sabesp, que cortou a água por falta de pagamento e ele ficou meses usando água da chuva guardada
    em uma caixa d’água nos fundos.
    Quanto à rua Pequetita, era mesmo a mesma rua. Faça a experiencia de buscar no Google Maps a rua e você vai ver que ela não existe mais, mas o Google indica uma rua sem saída que sai da Funchal como de fosse a tal Pequetita. A rua de traz da academia é a rua Helena.

    José Renato

  27. Mais um detalhe interessante. A própria rua Helena tem dois nomes; Helena e Senegambia! Acredite se quiser.

    José Renato

  28. Querida Norma.
    Muito me enche de lágrimas encontrar fotos do Michel Veber, meu querido e primeiro mestre de Tai Chi. Era criança, tinha apenas 15 anos, era o ano de 1971, assistia o filme The Champions, e conversas sobre Kung Fu me fascinaram, então fui ao meu antigo colégio Confúcio, onde havia feito a primeira série ginasial, em 1966, na Rua Santa Justina, na Vila Olímpia,, onde fica a Associação Chinesa e a Igreja Católica Chinesa. Fui conversar com o padre sobre o curso de Kung Fu que ouvi dizer que havia por lá, e quem me atendeu foi um afável senhor de cabelos brancos, nosso querido Michel Veber, que aprendia chinês com o padre, disse que o padre estava dormindo, e então deu um jeito fazendo deixando uma cadeira retomar seu lugar fazendo um leve barulho, o qual acordou o padre. Ele não quis falar do curso, pois era só para chineses velhos, e se falava só em chinês, disse que Kong Fu era trabalho e nada sabia a mais. Então o Michel me convidou para irmos ao seu ateliê, e fomos calmamente andando e conversando até a rua Funchal. Lá ele me falou do Tai Chi Chuan e do estágio mais avançado, o Pa Kua, e pude vê-lo pintar um lindo quadro de borboleta, desde o primeiro traço até ao último. Comecei a fazer as aulas indo uma vez por semana visitá-lo, e ele sempre simpático me convidava para treinar, pois eu não podia pagar o curso. Eram uns 8 alunos na faixa de 25 à 30 anos, descendentes de franceses, pareciam ricos, e um deles trabalhava no Citybank na Bélgica. Treinava a seguencia de Tai Chi, o Tui Shou, os exercícios de energização, o uso intenso do bastão, que depois ele me deu de presente, e o mais fantástico eram as aulas teóricas das sextasfeiras, onde ele falava de Kabala, do ovo da serpente, da árvore invertida, do raio, e do xamanismo, quando descobri que as minhas teorias metafísicas dos 12 aos 14 anos eram taoistas.
    Tudo me parecia fácil, tudo fazia sentido, e eu me reconheci como taoista a partir daquela época. Tempos depois fomos ao Templo Ka Non em Diadema, num ritual onde pudemos andar em brasas, passando 3 vezes em cima do tapete em brasas vivas. Estava aconpanhado do meu amigo e colega do primeiro ano da Física da USP, que eu o havia apresentado recentemente, naquele ano de 1973, e que depois se torno braço direito de Olavo de Carvalho, que levou todos para a Tarika do Sufismo e para o Tai Chi do Michel Veber. Curiosamente, muitos anos depois fui morar onde o Michel havia morado com a sua segunda esposa, também professora de Tai Chi, e que continuava no prédio, na Rua Souza Aranha, 140, Vila Olímpia, acho que se chamava Ismênia. Também conheci o filho dele na casa da primeira esposa, parece que ele vivia em Salvador, Bahia. Quando o Olavo e a Renata frequentaram lá, eu já não ia mais, só voltei um pouco quando entrei para a Tarika do Sufismo através do Amâncio, apesar de conhecer o Olavo há muito tempo, pois eu estudei astrologia com grandes mestres, desde 1977.
    Em 1976, comecei a estudar Kempô Tibetano, e no Ibiraouera de 1979 à 1983 estudei Tui Shou com o Lai depois em 1981 com o Liu Chi Ming aprendi o Pa Kua. Há décadas sou professor de Tai Chi. Era conhecido elo nome de Arnaldo ou pelo apelido de Duck.
    fisicoduck.blogspot.com.br

  29. Caro Luiz Pontual.

    A antiga Rua Funchal antes da avenida que existe hoje, era simplesmente a continuação da Rua Pequetita, que ficava na Vila Olímpia, e na altura do número 201, começava a Camargo Correia, já na área Industrial, zona 5, chamada de Vila Funchal, e a rua tinha de mudar de nome por esse fato.
    Curiosamente o Ateliê do michel ficava na divisa, e portanto tinha os 2 endereços, ambos na frente. Atrás tinha o canil dele, e o terreno ia até a rua de trás que tem outro nome que não me recordo mais. Havia umas baratas voadoras, mas aquela região era deserta, com uma várzea enorme cheia de campos improvisados de futebol, onde é hoje a Av. Juscelino Kubischek. Seria como comparar um sítio com o centro de Miami. É lógico que havia baratas como em todas as casa da Vila Olímpia. A maioria das ruas eram de terra até 1965, incluindo a Rua Santa Justina na Vila Nova Conceição. Só a Clodomiro Amazonas (a Rua da Ponte), a Rua Atílio inocente e a João cachoeira tinham asfalto, naquele região do bairro. Onde fica a Juscelino Kubischek passava um rio, e havia pontezinhas de madeira bem ruins para agente passar. Tinha muito matagal lá para baixo. Abaixo da Rua Atílio inocente praticamente não havia ruas, só mato. Eram asfaltadas ruas do Itaim-bibi, e aquelas do lado mais nobre da Vila Olímpia, na época, como a Rua da Casa do Ator, Cidade Nova, Nova Cidade… E algumas ruazinhas das mansões entre a Eduardo de Souza Aranha e a rua da Maternidade São Luiz.

    Abraços.

    De um Paulistano que viveu os primeiros 35 anos de vida no Itaim-Bibi/Vila Olímpia/Vila Nova Conceição.

  30. O Michel Veber publicou um pequeno livro sobre Tai Chi, onde ele coloca a árvore da linhagem de seus mestres até o mestre Yang. Também el gostava de brasileirar a escrita, como sendo Tai Chi Chuen. Colocando O Chuen no lugar de Chuan, pois a pronúncia para o português era mais próximo do chinês.

  31. Hoje dia dos professores, apesar dos muitos e bons professores que tive e tenho guardo em especial um lugar para Michel Veber que realmente me abriu uma porta que nunca mais fechou e uma academia que só vem crescendo interiormente onde me lembro de todos com quem estudava sobre tradição e um questionamento bem diferente desses filósofos tão populares, esses que tem nas camisetas dos bicho grilo.O interminável mito da caverna direto do grego com o Zé Renato, sempre aparecia uma nova descoberta e começava tudo outra vez.. O peaberú com o Duto o outro irmão, como dizia o Michel (os irmãos), as raízes das palavras com Luiz Caldas Tibiriçá a origem Maia, várias pessoas e um que não conheci pessoalmente mais tem um site maravilhoso que é o Luis Pontual (IRGET).E principalmente o Michel me introduziu no estudo de René Guénon o qual venho estudando e tentando aplicar nas coisas que faço junto com o Tai chi Chuan desde então. Dentro das minhas aulas de música vem sempre algo daí lembranças descobertas, dizeres, experiências, leituras, práticas, direções e pessoas que aparecem na hora certa. Então vai aí essa justa lembrança a essa grande alma. Feliz dia dos professores.

  32. Nossa, que surpresa encontrá-los por aqui. Googlei “Michel Veber” acho que só por nostalgia.
    A vivência com o Michel e alguns de vocês que tive o prazer de conhecer foi realmente única, memorável. Um privilégio ter recebido seus ensinamentos, participado das discussões e vivido tão eloquentes momentos.
    Grande abraço a todos,
    Vera Nonaka

  33. Norma, querida, que linda homenagem ao Professor! Fui invadido por uma enorme saudade daqueles tempos! Continuo praticando e ensinando Tai Chi, aqui em Piracicaba, onde moramos hoje, Rita e eu. Procuramos transmitir todos os ensinamentos do Michel, do Guénon e de tudo o que estudamos com tanto afinco naquela época. Hoje somos cristãos ortodoxos, e temos uma pequena capela em casa onde também praticamos a Prece do Coração que o Michel nos ensinou. A Rita se tornou iconógrafa, e eu faço traduções da Patrologia Ortodoxa, inclusive da Filocalia (lembra do Peregrino Russo?) que você poderá encontrar num blog que criei, chamado precedejesus.blogspot.com.br. Saudades de todos!

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s