Atropelamentos e atropelados.

Lorsque j’avais six ans… assim começa Le Petit Prince, livro que todas as aspirantes a miss beleza diziam ter lido e que depois foi desbancado por O Alquimista. Foi primeiro livro que li em francês, me lembro e ainda recito o primeiro capítulo, pois tinha uma fita cassete onde minha querida professora Eunice lia para que eu treinasse também o belo l’accent parisiense. Assim começo minha fábula: quando tinha 16 anos (dez anos depois de Saint-Exupéry ter desenhado un serpent boa qui digérait un éléphant) trabalhava num escritório de contabilidade e ia normalmente de bicicleta. Um dia cheguei mais cedo e o escritório ainda estava fechado. Resolvi dar mais uma pedalada. Segui a rua, virei numa esquina e voltando pela paralela, eis que surge detrás de um caminhão estacionado um senhor que atravessa a rua sem olhar, fora da faixa de pedestre e se joga sobre a bicicleta. Era um senhor grande, bem forte, chocamos e caímos os dois. Ele se levantou mais rápido pois eu ainda estava enroscada no chão com a bicicleta e passou a me xingar e me chutou inúmeras vezes. Levantei ainda sendo agredida e corri com a bicicleta com o guidão torto, ajeitei, subi e fui embora. Rasguei no joelho minha primeira calça Levis, esfolei as duas mãos e fiquei com o corpo todo cheio de hematomas dos chutes. E ele, raivoso, nem se deu conta que poderia ter sido um carro. E o motorista não teria culpa.

faixa

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