A Crise da Cultura

“Não posso pensar sem emoção no momento em que Mozart, tendo acabado de escrever Don Giovanni, pousa a pena e junta suas páginas. É um momento importante da vida da humanidade e, por extensão, de toda realidade. Todos os criadores, músicos, pintores, poetas acrescentaram beleza ao mundo. Enriqueceram nossa vida dando-nos acesso a momentos de felicidade inefável. E, generalizando, penso que todo ser humano, em sua esfera de atividade, pequena ou grande, pode ser um artesão do oitavo dia.”

Quem escreveu isso foi Hubert Reeves, um astrofísico canadense que como eu vê o homem como um demiurgo, um criador por excelência, com necessidade real de criar, de se expressar atravéz da criação.

Porém, atualmente esse legado universal da chamada cultura está com um dilema: quem se interessa por ela?

Meu assunto principal é a música, portanto analizemos: a música sempre foi um dos pilares da nossa cultura, de nossa vida. Compreendê-la fazia parte da cultura geral. Hoje ela se tornou um ornamento que permite preencher noites vazias, organizar festividades públicas ou, quando em casa, com os inúmeros recursos de reprodução de som, espantamos o silêncio criado pela solidão ou falta de assunto. Existe um paradoxo: ouvimos, atualmente, muito mais música que em qualquer outra época – quase que ininterruptamente – mas esta, na prática, não representa nada .

Tudo que antes era importante hoje não significa nada. Hoje damos mais valor a um automóvel que a um instrumento.

Sem nos darmos conta, estamos rejeitando a intensidade da vida em troca da sedução enganosa do conforto – e aquilo que estamos verdadeiramente perdendo, jamais recuperaremos.

Saudosismo? A música passada é melhor que a atual? A música erudita é melhor que o Jazz? O Jazz é melhor que o Rock? O Rock é melhor que o Pop? Eu não gosto de IPod? Não me agrada o youtube?

Não é isso. O que estamos perdendo é nosso poder de analize e entendimento, nosso refinamento. Hoje as pessoas gostam porque custa, porque tem publicidade, porque aparece na TV, porque toca no celular e principalmente, as coisas estão, mas não fazem mais parte de nossa vida.

Muito em breve, todo esse legado, esse trabalho de gerações, esse esforço, essa emoção será uma peça arqueológica, algo que ninguém se interessará pois não temos formação para entender e apreciar. Vivemos o mundo das facilidades, da música em “spray”. Porém nunca foi tão difícil viver…

e veremos todas as obras da criação humana como essa árvore: grande, forte, bela mas morta.

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2 comentários sobre “A Crise da Cultura

  1. Sou artista… Vivo ou tento viver do que faço… Já estudei música… J”a fotografo a mais de 25 anos… Esculpo e desenho desde que me entendo por gente… sinto profunda mente o que escreveste…

  2. Muita gente sente, e claro que todos artistas com mais intensidade pois vivem de matéria sutil num mundo tão pesado, onde tudo tem seu valor definido. Obrigada pelo comentário e bom saber que não estamos sós.

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