Neste mês de outubro tivemos duas grandes perdas: Ronoel Simões, nosso grande amigo, divulgador e colecionador do violão e Henrique Pinto. Para os dois aguardo momento oportuno para escrever algo…no momento, sem palavras…
“Não sei se o leitor é atreito a estas coisas. Por exemplo: vai descansadamente pela rua fora, a olhar para quem passa ou não reparando em ninguém e de repente, ao virar de uma esquina, sem aviso nem prévia suspeita, descobre uma verdade fundamental, uma nova lei da natureza, a explicação final dos destinos, a quadratura do círculo, o moto-continuo. Isto passa-se em um segundo fulgurante, findo o qual volta à sua condição de todos os dias, isto é, de homem sem problemas mais altos do que a sua cabeça.”
A vida é uma longa violência.
Neste mundo louco onde todos precisam tanto e tão desesperadamente de deus, onde cada um não se basta por si e se apegam nessa figura insólita e não confiável em detrimento do palpável irmão ao lado. Todos têm medo de se dizer descrentes e serem atingidos por um raio vindo das entranhas de um ser completamente desconhecido, distante, rancoroso, controlador, que nas tragédias não tem culpa de nada porém detém o know how dos milagres.
José Saramago vai e o mundo nunca mais será o mesmo: não tanto por sua morte pois esta era certa desde o dia em que nasceu, mas por sua obra que poderemos, nós e gerações vindouras, ler…e se lendo não entender, leia duas vezes.
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Nós continuamos punidos: somos uma geração sem sonhos, sem perspectivas, sem conquistas. Crescemos cantando os hinos nacionais, com o slogan “äme-o ou deixe-o”. Nossa criatividade secou por anos de violência, saquearam as divisas do país, sofremos material, espiritual e psicologicamente enquanto as agentes desse desmantelamento viveram e vivem muito bem. Não, não pode nem deve ser assim.
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“Não posso pensar sem emoção no momento em que Mozart, tendo acabado de escrever Don Giovanni, pousa a pena e junta suas páginas. É um momento importante da vida da humanidade e, por extensão, de toda realidade. Todos os criadores, músicos, pintores, poetas acrescentaram beleza ao mundo. Enriqueceram nossa vida dando-nos acesso a momentos de felicidade inefável. E, generalizando, penso que todo ser humano, em sua esfera de atividade, pequena ou grande, pode ser um artesão do oitavo dia.”
Quem escreveu isso foi Hubert Reeves, um astrofísico canadense que como eu vê o homem como um demiurgo, um criador por excelência, com necessidade real de criar, de se expressar atravéz da criação.
Porém, atualmente esse legado universal da chamada cultura está com um dilema: quem se interessa por ela?
Meu assunto principal é a música, portanto analizemos: a música sempre foi um dos pilares da nossa cultura, de nossa vida. Compreendê-la fazia parte da cultura geral. Hoje ela se tornou um ornamento que permite preencher noites vazias, organizar festividades públicas ou, quando em casa, com os inúmeros recursos de reprodução de som, espantamos o silêncio criado pela solidão ou falta de assunto. Existe um paradoxo: ouvimos, atualmente, muito mais música que em qualquer outra época – quase que ininterruptamente – mas esta, na prática, não representa nada .
Tudo que antes era importante hoje não significa nada. Hoje damos mais valor a um automóvel que a um instrumento.
Sem nos darmos conta, estamos rejeitando a intensidade da vida em troca da sedução enganosa do conforto – e aquilo que estamos verdadeiramente perdendo, jamais recuperaremos.
Saudosismo? A música passada é melhor que a atual? A música erudita é melhor que o Jazz? O Jazz é melhor que o Rock? O Rock é melhor que o Pop? Eu não gosto de IPod? Não me agrada o youtube?
Não é isso. O que estamos perdendo é nosso poder de analize e entendimento, nosso refinamento. Hoje as pessoas gostam porque custa, porque tem publicidade, porque aparece na TV, porque toca no celular e principalmente, as coisas estão, mas não fazem mais parte de nossa vida.
Muito em breve, todo esse legado, esse trabalho de gerações, esse esforço, essa emoção será uma peça arqueológica, algo que ninguém se interessará pois não temos formação para entender e apreciar. Vivemos o mundo das facilidades, da música em “spray”. Porém nunca foi tão difícil viver…
e veremos todas as obras da criação humana como essa árvore: grande, forte, bela mas morta.
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Não sabia o que escrever neste começo de ano e olha que sou chegada a mensagens de bom princípio. Então, peguei meu violão e cantei uma canção maravilhosa que acho que exprime bem o momento: Lô Borges e Ronaldo Bastos e sempre a interpretação incrível da Elis. Desculpem a qualidade mas vale a emoção e as biritas que tomei antes. E acima de tudo, um
FELIZ ANO REALMENTE NOVO PRA TODOS NÓS!!!!
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Tentei encontrar algumas coisas sobre Miguel Angel Girollet na internet e na imprensa em geral e o que achei foi tão pobre perto do que realmente foi essa figura. Sei que nada que se fale vai dizer realmente quem foi ou cobrir a lacuna que ficou. Mas para que os novos violonistas e guitarristas possam saber que muitos vieram e foram, deixando um legado. Esse é o meu relato, como conheci e um pouco do que com ele aprendi e por minha vez ensino.
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No geral perdemos nossa capacidade de identificação com o que fazemos.
Poucos são os que podem assinalar sua contribuição pessoal para a sociedade.
A produção em série de tudo, bens de consumo, escolas, comportamento, moradias, fez do homem uma máquina que vive sem nenhuma habilidade especial.
Aí vêm as interrogações:
- quem sou?
- aonde vou?
- o que represento?
E isso não é só a juventude que anda em busca de identidade. Embora ninguém fique feliz por converter-se em um número, estamos todos nos tornando uma série de números para fins de cadastro fiscal e pagamento de impostos, cobranças bancárias, carteiras de habilitação, etc.
Estamos nos convertendo em espectadores passivos da cultura em vez de ajudar a construí-la.
Mesmo o futebol, as partidas são para ser assistidas e não mais jogadas.
A música se transformou num xarope calmante que serve de fundo no shopping center ou para trilha sonora de um modelo comprado pronto de comportamento e não um meio de envolvimento real. Tudo se tornou um meio de distração.
Porém, neste fechamento anual para balança, o que chamamos de feliz ano novo, é bom lembrar-se de alguns detalhes deixados de lado:
- Sensibilidade auditiva significa escutar detalhadamente, não apenas ouvir;
- Sensibilidade visual significa uma discriminação consciente de diferenças e pormenores, não apenas reconhecer.
O mesmo vale para o tato, sabor, cheiros e as demais experiências sensoriais e principalmente as experiências afetivas.
Sensibilidade criadora – é o que torna a vida satisfatória e significativa.
Um 2009 realmente significativo e transformador
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